A música alta e hipnótica soava de maneira excessiva se não fosse pelas paredes feitas especialmente para abafar o som a vizinhança estaria tendo problemas com o barulho depois das dez da noite.
Mas as paredes não conseguiam abafar o som físico no mundo espiritual. Vários espíritos estavam sendo hipnotizados pelo som de techno misturado ao psytrance. Parados ali com os olhos abertos, até mesmo sem piscar, estáticos e ligados ao que parece ser uma imensa caixa de som espiritual. Os malditos dragões - ou seus subalternos não, sei dizer - tinham construído uma máquina que conseguia capitar os sons das músicas e reproduzi-las misturadas a mensagens subliminares com o intuito de aprisionar mentalmente certos espíritos desencarnados e outros que estavam lá em desdobramento. Esses espíritos que falei, os extáticos, eram as vítimas desses dragões que tinham como objetivo utiliza-los como cobaias de experimentos diabólicos, tais quais, enfiar um maldito verme ovóide no c...
- Valeck! – Interrompeu o instrutor que estava viajando pela mente do guardião novato.
Quando Valeck chegou da missão de se infiltrar na boate que estava dominada pelos dragões e feita - por eles - um laboratório para obsessões complexas, Molohk não perdeu tempo e logo chamou o causador da confusão e com isso a falha na missão de espionagem.
- Você deveria fazer uma lavagem no seu vocabulário, não se esqueça que agora você pertence a uma colônia civilizada e de bem. Aqui não usamos este linguajar, mesmo nós que pertencemos aos guardiões. – Molohk havia tirado as mãos da cabeça de Valeck, seu aprendiz.
O que Molohk estava fazendo era uma vistoria na mente de Valeck, com as mãos imantadas de energia e se unindo a vibração de Valeck ele conseguiria assistir, como se fosse um filme, as memórias do aprendiz. Mas isso levava concentração, tanto de um quanto do outro. Mas naquele momento isso parecia uma coisa impossível.
- Concentre-se novamente, vamos terminar seu relatório. – Ordenou Molohk, o instrutor guardião e mentor de Valeck.
Após concordar e levar mais um tempo enorme para se concentrar ele deixou-se adentrar em suas lembranças.
Continuando. Eu cheguei junto dos outros guardiões que estavam quase se deixando levar pela música. Clubbers..humpf!
O nosso líder pediu para que espalhássemos e tentasse se infiltrar no interior da balada e não deixar a vibração abaixar. Poderia ser perigoso se não nos concentrássemos na vibração, pois os caras podiam nos ver e ainda corríamos risco de cair nas garras da hipnose musical. Para mim foi fácil, não curto puts-puts.
- Por Deus, Valeck! Melhore seu linguajar. Estou tendo dificuldade em entender o que você fala. – Molohk reclamava mais uma vez, retirando a concentração dos dois.
- Senhor. – Replicou Valeck. – Com todo respeito, se concentre e me deixe terminar?
- Ok.
Todos se espalharam. Eu fui para parte de fora do lugar achei que ia fugir do som da boate, mas foi ai que eu percebi que aquela máquina estava emanando o som por todo lugar e chamando outros espíritos que estavam na mesma vibração da música. Eu nem me preocupei em saber o que a música tava dizendo, não queria dar margem para uma merda acontecer. Na rua vários espíritos, desencarnados ou não, estava já lotando a entrada. Se eles não estivessem “lobototizados”....
- Lobotomizados, Valeck, lobotomizados. – Corrigiu o Molohk.
- Lobo o quê??? – Indagou Valeck. Mais uma vez os dois haviam perdido a concentração.
- Lobotomizado é a pessoa que passou por uma Lobotomia. Lobotomia é um tipo de cirurgia realizada diretamente no cérebro, em que são cortadas as ligações nervosas entre um ou mais lobos e o tálamo. – Esse era o conhecimento científico de um guardião cientista que na crosta foi muito renomado.
Mesmo com toda essa aula de ciências, Valeck ainda fazia uma cara de desentendimento.
- O tálamo é a massa cinzenta do cérebro localizada em sua parte mais profunda. Os lobos são as partes arredondadas e salientes na parte externa do cérebro.
A lobotomia era utilizada antigamente como uma forma de tratamento de doenças mentais graves, especialmente a esquizofrenia. Os lobos seccionados eram na parte frontal do cérebro, e por isso a expressão cientificamente mais correta é leucotomia (específica para os lobos frontais).
Hoje é muito pouco usada por causa dos graves efeitos colaterais, que são irreversíveis. Também não é mais feita da mesma forma, sendo aplicada em áreas muito mais delimitadas e pequenas, e apenas em casos extremamente graves, sem qualquer outra alternativa, como em casos de dor crônica intratável.
- O tálamo é a massa cinzenta do cérebro localizada em sua parte mais profunda. Os lobos são as partes arredondadas e salientes na parte externa do cérebro.
A lobotomia era utilizada antigamente como uma forma de tratamento de doenças mentais graves, especialmente a esquizofrenia. Os lobos seccionados eram na parte frontal do cérebro, e por isso a expressão cientificamente mais correta é leucotomia (específica para os lobos frontais).
Hoje é muito pouco usada por causa dos graves efeitos colaterais, que são irreversíveis. Também não é mais feita da mesma forma, sendo aplicada em áreas muito mais delimitadas e pequenas, e apenas em casos extremamente graves, sem qualquer outra alternativa, como em casos de dor crônica intratável.
Valeck ainda continuou com uma cara sem expressão tentado digerir o que foi dito, mas Molohk já sabia que sua explicação não teria surtido efeito. Voltaram à conexão mental.
Por de trás da boate havia uma espécie de acampamento improvisado, com uma lona branca sustentada por ferros. Parecia um acampamento militar cheio de pessoas andando pra lá e pra cá com uniformes e roupas de enfermagem e laboratório.
Os caras com jeito de militar usavam uniforme marrom e os outros aventais brancos.
Sorrateiro eu cheguei até a barraca e lá fiquei puto com o que eu vi. A cena era aterradora! Parecia um hospital improvisado, onde os doentes estavam deitados em camas de ferro e em seu pulso estavam conectados fios que iam direto a uma bolsa com uma cor escura. Parecia sangue, mas eu tinha certeza que aquilo era tóxico o suficiente para contaminar um rio inteiro! Sem contar que estava demais perceptível com aquelas luzes psicodélicas e esfumaçadas que a visão espiritual proporcionava.
Interrompendo as memórias de Valeck, mas ainda assim concentrado, Molohk enviou uma mensagem telepática para ele:
- Sabe que você só conseguiu ver a emanação tóxica das bolsas de químicas por causa da sua vibração que ainda é baixa, não sabe?
- Como assim? – Respondeu Valeck indagando. – O Senhor não veria aquilo?
- Sim veria, mas só porque consigo controlar minha vibração energética. Quanto maior controle sobre seu estado vibratório mais você está apto a usá-las nas missões. Seja para que os inimigos não o vejam como também o contrário. E, além disso, você pode perceber as vibrações dos objetos, pois eles também sempre acumulam certa energia de quem os utilizou recentemente ou para saber que tipo de conteúdo eles guardam.
- Então é por causa da vibração energética que eu vejo os caras e eles não me vem? – Valeck tinha seus defeitos, mas ainda assim era um aluno com sede de saber.
- Primeiro mude seu linguajar, isso deixa cada vez mais baixo seu estado vibratório. Eles não são “caras”. São espíritos em baixa ou alta evolução. Prefira o termo irmãos desorientados à “malditos” ou “os caras do mal”. – Molohk tinha a paciência de Jó para ensinar seus alunos, em especial este. – Eles são apenas irmãos que se perderam do caminho, ou estão cegos em uma utopia insana e sem sentido que é essa guerra entre o bem e o mal. Deus é misericordioso e eles um dia irão compreender a ilusão em que vivem. Mas tudo tem sua hora e a deles chegará.
Enquanto a hora deles não chega, eu “quebro o pau”. Hahaha!
Voltando ao relatório, eu não me agüentei e entrei no lugar. O que me deu mais nojo foi o fato daqueles Filhos da...
”Irmãos desorientados”
... era que eles vestiam o mesmo uniforme que o nosso, dos guardiões.

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